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26/08/2019

Uma rede para proteger a qualidade e a cadeia produtiva do arroz

Uma rede para proteger a qualidade e a cadeia produtiva do arroz

O XI Congresso Brasileiro de Arroz Irrigado realizado este mês em Balneário Camboriú (SC) trouxe um dado que colocou a cadeia produtiva do arroz em alerta: o consumo irá cair na próxima década. Preocupados com esse cenário um grupo de pesquisadores lançou a proposta de criação da Rede Latino-Americana de Qualidade de Arroz, que pretende integrar instituições de pesquisa e empresas com o objetivo de melhorar a qualidade do produto final oferecido aos consumidores da América Latina. Idealizada pela cientista da Embrapa Feijão e Arroz, Dra. Priscila Zaczuk Bassinello, a Rede será coordenada pela equipe do Laboratório de Grãos da Universidade Federal de Pelotas (Labgrãos-UFPel).

A ideia de constituição de uma rede internacional, conforme explica Priscila Bassinello, surgiu após ter integrado um grupo semelhante abrigado no Instituto Internacional de Investigação do Arroz (IRRI, sigla em inglês), sediado nas Filipinas, e que congregava pesquisadores, produtores e industriais de várias partes do planeta. “O interesse comum era de alcançar a qualidade exigida pelo mercado de cada país e através disso percebemos que algumas análises de parâmetros de qualidade eram comuns, porém as metodologias e atributos de classificação não estavam uniformizados”, comenta.

O estabelecimento de uma padronização de conceitos, métodos e escalas é apontado pela cientista como um dos primeiros desafios a ser perseguido pela Rede Latino-Americana, uma vez que as diferenças existentes podem dificultar e até impossibilitar a comparação de resultados de análises qualitativas e, desse modo, acabar penalizando tanto produtores como indústrias.

“Existem diferenças na forma de mensurar e entender o que é qualidade. Isso está associado à preferência dos consumidores. No setor industrial, por exemplo, é comum falarmos que determinado arroz é premium no que tange a qualidade, mas o que significa ser premium? Percebemos que esse significado muda muito de um país ou região produtora para outra”, explica o Dr. Nathan Vanier, coordenador o Labgrãos/UFPel.

A partir disso, à medida que as pesquisas da rede avançarem, toda a cadeia produtiva deve ser favorecida com a oferta de novas ferramentas mais eficientes e uniformes para auxiliar produtores, melhoristas e industriais na classificação da qualidade do produto.

GRÃOS ESPECIAIS – O estabelecimento da Rede Latino-Americana Qualidade de Arroz aparece no atual cenário como uma ferramenta de grande valia para auxiliar produtores e indústrias a enfrentar o encolhimento do consumo. Isso acontece, principalmente, pela contribuição que o grupo poderá dar na definição e normatização de padrões de qualidade para os grãos especiais, apontados como grande alternativa para abrir novos nichos de mercado.

“Hoje temos materiais capazes de atender demandas de consumidores com diferentes anseios, como arroz para culinária italiana ou asiática, arroz preto ou vermelho e o arroz de baixa digestibilidade. Esperamos que com a rede possamos desenvolver padrões de classificação que ajudem a fortalecer a imagem dos produtos na sociedade”, comenta Vanier. Na mesma sintonia, Bassinelo diz esperar que a valorização destes grãos especiais estimule a produção e aproxime a indústria tanto da rede como dos produtores.

INTERESSE GERAL – Tão logo foi lançada a rede atraiu o interesse de representantes de 25 instituições de Brasil, Uruguai, Argentina e Colômbia. A aceitação da proposta anima os idealizadores que vislumbram uma congregação acima das competições regionais por mercado. “Essa rede tem que estar acima dessa mentalidade de competição entre países e empresas, pois o que se pretende é unir esforços para ganhar força e pleitear investimentos para crescer na área e organizar a cadeia produtiva em nome do bem comum”, define a Drª Bassinello.

A partir disso projeta-se a possibilidade futura do grupo dar origem a um órgão consultivo capaz certificar a qualidade de produtos, métodos, equipamentos ou tecnologias. “Podemos pensar, talvez, em buscar um credenciamento futuro no MAPA ou na Anvisa e ter o respaldo destes órgãos para dar segurança ao produtor, a indústria ou ao consumidor de que os produtos que certificamos são seguros, pois como rede queremos buscar essa valorização do produto e sobretudo de sua segurança e qualidade”, diz.

TRABALHO – Tão logo foi estabelecida a Rede já começou a operar. Um grupo de pesquisa está sendo cadastrado no CNPq, bem como um novo projeto de pesquisa e extensão sediado na Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel da UFPel. Os primeiros temas a serem trabalhados serão: padronização de métodos, divulgação dos benefícios do consumo de arroz e seus derivados, definição de atributos de qualidade para arroz de variedades especiais e avaliação de contaminantes de grãos (atendimento à normativas vigentes e confiabilidade de métodos analíticos).

A intenção dos membros é de já na Abertura Oficial da Colheita do Arroz de 2020 poder fazer uma nova reunião presencial com todos os participantes e apresentar dados e resultados preliminares obtidos nos primeiros meses de trabalho.

Para mais informações:

Professor Nathan Vanier (UFPel): nathanvanier@hotmail.com

Pesquisadora Priscila Z. Bassinello: priscila.bassinello@embrapa.br

Fonte: Álvaro Guimarães - Assessoria de imprensa