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27/02/2018

Pesquisa identifica compostos voláteis de genótipos brasileiros de arroz aromático

Pesquisa identifica compostos voláteis de genótipos brasileiros de arroz aromático

Analisar o perfil dos aromas e a qualidade de cocção em genótipos de arroz aromático desenvolvidos na Embrapa Arroz e Feijão. Este foi o principal objetivo do trabalho realizado pelo Prof. Nathan Vanier e pela Dra. Jessica Hoffmann do Labgrãos, cujos primeiros resultados começam a ser divulgados agora.

Durante dois meses a Dra. Jessica esteve no Healthy Processed Foods Research Unit do United States Department of Agriculture (USDA), em Albany (Califórnia), onde sob a supervisão do Dr. Gary Takeoka analisou compostos voláteis de seis linhagens de arroz aromático desenvolvidas pela Embrapa Arroz e Feijão e as comparou com os genótipos Jasmine 85 e IRGA 417. “Para esse trabalho foi usada a técnica de cromatografia gasosa acoplada a espectrometria de massas (sigla em inglês GC-MS)”, explica Jessica. A avaliação da qualidade industrial e de cocção das cultivares foi realizada no Labgrãos.

Os primeiros resultados obtidos apontam para a identificação de 35 diferentes compostos voláteis pertencentes a diferentes classes químicas, que juntos são responsáveis por conferir aroma ao arroz. Os mais característicos são: 2-acetil-1-pirrolina (aroma de pipoca), decanal (aroma doce e frutado), α-pineno (aroma herbal), 2-pentilfurano (aroma floral e frutado), 1-hexanol e hexanal (aroma de gordura oxidada). “O composto responsável pelo aroma de pipoca foi encontrado apenas nas cultivares aromáticas”, frisa a pesquisadora.

Segundo o professor Nathan Vanier, coordenador da pesquisa, os resultados deste trabalho inicial de caracterização de voláteis em materiais produzidos no Brasil ajudarão a equipe de melhoristas da Embrapa a selecionar materiais com grande potencial para chegar ao mercado consumidor.

“Os brasileiros não estão acostumados com arroz aromático. Muitos sequer ouviram falar a respeito. Nós, pesquisadores, pouco sabemos sobre a qualidade do arroz aromático que está sendo desenvolvido e produzido experimentalmente no país, e os resultados deste projeto permitirão embasar decisões, abrir horizontes e fortalecer a cadeia produtiva do arroz como um todo”, afirma o professor.

Parceria e novos mercados – O coordenador do Programa de Melhoramento de Arroz Especial da Embrapa, Dr. José Manoel Colombari Filho explica que o Brasil ainda não é capaz de ofertar um volume de grãos aromáticos capaz de estimular o consumo interno sem aumentar significativamente suas áreas de produção, pois o país não dispõe atualmente de cultivares de arroz aromático adaptadas. Estimativas extraoficiais apontam para uma produção em torno de 120 mil toneladas/ano, o que corresponde a 1% da produção total do grão. Porém a evolução do segmento já é observada de perto pela indústria nacional, que está de olho em um mercado interno de alto valor agregado e um mercado externo com índices de crescimento impressionantes. “Nos últimos três anos, esse segmento cresceu cinco vezes mais que outros mercados e, nesse ritmo, poderá dobrar seu tamanho nos próximos três anos”, diz.

A partir de pesquisas recentes, Colombari afirma acreditar que o arroz aromático é aquele com maior capacidade de aumentar o tamanho do segmento de grãos especiais e de ser o tipo especial mais consumido do Brasil, com frequência diária, superando os atuais grãos para a culinária japonesa e italiana, uma vez que se assemelha ao arroz “agulhinha” - o preferido dos brasileiros - mas com a agregação de novos atributos nobres de qualidade aos grãos, como a presença de aroma e maior rendimento de panela.

Com o objetivo de planejar novas estratégias para atender este segmento de mercado e tornar possível uma futura indicação de cultivares aromáticas genuinamente brasileiras, foi firmado convênio de parceria entre a Embrapa Arroz e Feijão e o Labgrãos da UFPel.

“Aliado à disponibilidade de infraestrutura e equipamentos de ponta, a parceria com a UFPel permitirá à Embrapa contar com uma equipe altamente especializada e alinhada na busca de objetivos comuns, abrindo oportunidades para treinamentos, tanto em nível de graduação quanto pós-graduação, além de gerar publicações técnico-científicas internacionais, contribuindo assim na formação de recursos humanos para a pesquisa científica”, frisa.