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18/04/2018

Imobilização enzimática para otimizar processos e reduzir a turbidez de cervejas

Imobilização enzimática para otimizar processos e reduzir a turbidez de cervejas

Os nomes, conceitos e técnicas envolvidas no trabalho da pesquisadora Jaqueline Pozzada dos Santos, doutoranda no Labgrãos, podem ser complicados, mas o objetivo final é muito fácil de entender para grande parte dos brasileiros: deixar a cerveja, de todo final de tarde, menos túrbida e mais atraente.

O trabalho meticuloso envolve o uso da técnica de electrospinning para imobilizar a enzima responsável pela degradação da xilana, que por sua vez é um polímero responsável por aumentar a viscosidade e a turbidez de cervejas de cevada, trigo e arroz. “Nosso objetivo é reduzir a turbidez de cervejas usando a enzima xilanase imobilizada, aplicada nas etapas de malteação e mosturação”, acrescenta Jaqueline.

O aprisionamento de enzimas em fibras com diâmetros em escala nanométrica via electrospinning tem como objetivo ampliar a faixa de temperatura e pH de atuação da enzima e favorecer uma liberação controlada.

Estruturado em quatro etapas, o projeto de pesquisa, conduzido sob orientação do Prof. Nathan Vanier, está entrando na sua última fase que é exatamente aplicar a xilanase imobilizada em etapas de produção de cervejas de cevada, trigo e arroz. “Até agora as fibras foram caracterizadas e a atividade enzimática em diferentes pH’s e temperaturas foi analisada. A maior eficiência de imobilização da xilanase foi alcançada na menor concentração de enzima, apresentando com isso a maior atividade específica”, diz a pesquisadora. Outro resultado apontado por Jaqueline é que com o aprisionamento a atividade ótima da xilanase foi alterada de 60 para 70°C e ainda apresentou maiores valores em pH’s mais extremos, como pH 4, 5, 7 e 8, em comparação com a xilanase livre.

A partir dos resultados obtidos com a cerveja o grupo de pesquisa pretende ampliar o estudo para outras classes de enzimas e direcionar a aplicação para outros processos agroindustriais.

A OPÇÃO PELO PPGCTA – Oriunda da equipe da Fundação Universidade do Rio Grande (FURG), onde cursou graduação e mestrado, Jaqueline diz ter escolhido o doutorado na UFPel pela admiração que tem pelo trabalho desenvolvido no Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia de Alimentos (PPGCTA), especialmente no Labgrãos.

“Uma das principais motivações de vir para a UFPel foi a busca por desafios ao ser inserida em uma nova linha de pesquisa. Sempre fui motivada pela busca do conhecimento e isso foi determinante para a mudança de universidade. Além disso, sabia que iria consolidar o aprendizado já adquirido”, diz.

A grande comunicação e união do grupo de trabalho no Labgrãos são apontados pela pesquisadora como um elemento de motivação a mais para seguir em frente com seu trabalho. “Fazer parte desse grupo é uma satisfação muito grande”, finaliza.