home multimidia noticias

05/08/2017

Estudo revela efeitos da dessecação pré-colheita na qualidade do feijão

Estudo revela efeitos da dessecação pré-colheita na qualidade do feijão

Pesquisadores do Labgrãos publicaram, esta semana, artigo na revista Journal of Agricultural and Food Chemistry, referente a um estudo revelador sobre efeitos imediatos e latentes do uso de glifosato, carfentrazona e paraquate como dessecantes pré-colheita em plantas de feijão caupi. No artigo, que é oriundo do projeto de dissertação do discente Igor Lindemann, os pesquisadores buscaram conhecer as alterações nas propriedades químicas e tecnológicas dos grãos de feijão caupi após a utilização dos dessecantes citados, e quais são os riscos potenciais da prática de dessecação para a saúde dos consumidores.

O feijão caupi (Vigna unguiculata L.) é historicamente cultivado em pequenas propriedades das regiões Norte e Nordeste do Brasil, mas atualmente também tem sido cultivado em grandes propriedades do Centro-Oeste. Essas regiões são caracterizadas pelos baixos índices de precipitação na época de cultivo. Este grão é considerado uma boa fonte de carboidratos, proteínas, fibras, vitaminas, bem como ferro e zinco. Além disso, o feijão caupi possui compostos fenólicos que atribuem a ele um caráter de alimento funcional, com capacidade antioxidante, antimutagênica, anti-inflamatória e até mesmo anti-hipertensiva, auxiliando na prevenção de doenças crônicas e degenerativas. Nos grãos, esses compostos são os principais responsáveis pela cor do tegumento e suas alterações após a colheita.

Alterações na cor do tegumento, principalmente quando ligadas ao escurecimento, são associadas pelo consumidor como um produto de baixa qualidade, ruim de cozinhar e que não forma caldo após a cocção. Os autores relataram que a utilização de dessecantes na pré-colheita pode interferir na qualidade do feijão caupi. Os dessecantes glifosato e carfentrazona aumentaram a suscetibilidade à mudança de cor do tegumento, após oito meses de armazenamento, quando comparado ao feijão caupi dessecado com paraquate e aos que não foram dessecados. Já para a cocção, o feijão caupi se mostrou mais suscetível ao aumento no tempo de cocção quando não foi submetido a dessecação.

Além das alterações nas propriedades químicas e tecnológicas, os pesquisadores investigaram os teores residuais dos herbicidas nos grãos. Os resultados apontaram valores residuais de glifosato e paraquate superiores aos limites máximos estabelecidos tanto pelo Codex Alimentarius como pela União Européia, que são principais órgãos reguladores do mundo. Para o Professor Nathan Vanier, que coordenou o projeto, estes resultados são preocupantes: “Qualquer possibilidade de melhoria nas propriedades tecnológicas e químicas do feijão caupi deve ser anulada pela presença de residuais acima dos níveis máximos de tolerância para a cultura” - ressalta.

Os pesquisadores planejam novos estudos para ajudar a compreender detalhadamente as respostas metabólicas frente aos diferentes dessecantes comerciais, auxiliando os agricultores e as indústrias de feijão a encontrar alternativas para uma colheita segura de feijão caupi em grandes áreas.

Para acessar o artigo completo e saber mais detalhes sobre a pesquisa, clique aqui.