home multimidia noticias

14/10/2018

Atmosfera modificada é alternativa para manter qualidade da soja armazenada

Atmosfera modificada é alternativa para manter qualidade da soja armazenada

Acostumados com as características do arroz os armazenadores gaúchos precisam mudar suas técnicas e sistemas de manejo para garantir a qualidade da soja que mantém em seus armazéns. O alerta foi feito pelo professor e pesquisador Maurício de Oliveira durante o Workshop Pós-Colheita, Industrialização e Qualidade de Soja, promovido no Dia do Agrônomo na 92ª Expofeira de Pelotas pelo Laboratório de Grãos (Labgrãos) da Faculdade de Agricultura Eliseu Maciel da Universidade Federal de Pelotas (FAEM/UFPel) e a Associação dos Engenheiros Agrônomos de Pelotas (AEAPEL).

O professor da FAEM/UFPel e pesquisador do Labgrãos comentou sobre a necessidade dos armazenadores da região, responsável por produzir 1,4 mil toneladas de arroz na última safra conforme dados do Instituto Rio Grandense do Arroz (IRGA), entenderem as particularidades da soja cujo grão contém mais óleo do que o arroz e, portanto é mais sensível e necessita de manejo diferenciado na pós-colheita.

Estes cuidados conforme Oliveira devem começar já no processo de pré-armazenagem com uma segregação eficiente evitando a mistura de grãos bons com grão ruins e em seguida a realização de uma pré-limpeza com o objetivo de evitar e entrada da poeira e partículas estranhas junto com os grãos. “A espera pela secagem deve ser feita em silo pulmão com aeração e o processo mais recomendado é o de secagem contínua”, diz.

ATMOSFERA ADEQUADA – Estudos feitos no Labgrãos apontam que o controle da atmosfera dentro do silo com uso de gás carbônico e resfriamento para criação de uma atmosfera inerte é capaz de reduzir em até 20% as perdas na armazenagem da soja. “Se há oxigênio dentro da unidade, há oxigênio para os insetos e tem umidade, o que piora a qualidade do grão guardado ali”, justifica.

A técnica de atmosferas controladas, de acordo com Oliveira tem sido usada com sucesso na América do Norte e parte da Europa e é apontada como muito adequada para o Brasil.

“O sistema de armazenamento é um ecossistema vivo e nossa missão é torná-lo mais controlado, além disso precisamos entender que a soja necessita de um cuidado maior do que o arroz para manter sua qualidade e nesse ponto novas tecnologias que apesar de apresentarem um custo mais alto darão respostas muito eficazes a médio prazo com o aumento da qualidade do grão estocado e, consequentemente, da rentabilidade”, observa Oliveira.

Fonte: Assessoria de Imprensa - Álvaro Guimarães